Breve história da psicologia


Na Grécia Antiga, por volta do séc. VII a.C., os filósofos começaram a tentar compreender o homem e sua interioridade. Para eles, a psiquê (ou 'si mesmo') era entendida como o aspecto imaterial de cada pessoa, que envolve os pensamentos, os sentimentos, os desejos e a percepção.

Entre os filósofos pré-socráticos haviam os idealistas, acreditavam que as ideias formam o mundo, e os materialistas, que acreditavam que o mundo se dá por meio da percepção da matéria, dos objetos, das coisas e dos seres.

Para Heráclito (~540-470 a.C.), o que caracterizava o ser era sua condição de transformação e impermanência, já Parmênides (~530-460 a.C.) defendia a unidade do ser e a impossibilidade do 'não-ser'.

O filósofo grego Sócrates (~471-399 a.C.) buscava compreender o que diferenciava os homens dos animais, para ele a grande diferença era a razão, que permitia ao homem controlar seus instintos e sair da ignorância por meio da busca da sabedoria.

Platão (428-348 a.C.), discípulo de Sócrates, tentou definir um lugar para a razão em nosso corpo, entendendo que esse lugar seria a cabeça. Segundo ele, a alma era separada do corpo, e a medula seria o elemento de ligação entre a alma e o corpo.

Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão, já acreditava que a alma e o corpo não podem ser separados, segundo ele a psiquê era o princípio ativo da vida de tudo o que se desenvolve.

Durante o Império Romano, o cristianismo se desenvolveu rapidamente, se tornando a principal religião durante a Idade Média. Os entendimentos sobre a psicologia passam então a ser relacionados ao conhecimento religioso, a Igreja Católica monopolizava o saber e o estudo da filosofia.

Santo Agostinho (354-430), inspirado em Platão, também entendia que havia uma divisão entre a alma e o corpo, segundo ele a alma era uma manifestação divina no homem e era imortal pois o ligava a Deus.

São Tomás de Aquino (1225-1274), buscou em Aristóteles a distinção entre essência e existência, considerando que o homem, em sua essência, busca a perfeição por meio de sua existência, e para ele somente Deus seria capaz de unir a essência e existência.

Durante a Idade Média, a sociedade vivia sob uma hierarquia rígida estabelecida, não havendo possibilidade de mobilidade social. Nessa sociedade predominava uma visão de um universo estático, um mundo organizado, e a verdade era decorrente das revelações de Deus. A razão estava submetida à fé e à autoridade da doutrina católica.

Porém, no período do Renascimento, entre os séculos XIV e XVI, há um enfraquecimento do cristianismo, onde o ser humano passa a ser valorizado nas obras de arte, na filosofia e na ciência, como um objeto a ser estudado. Nesse período houveram muitos questionamentos sobre as hierarquias e movimentos para derrubar a nobreza e o clero.

Os dogmas da Igreja foram questionados, o conhecimento voltou a ser independente da fé. A ciência moderna passa a tomar o conhecimento como fruto da razão. O homem passou a ser visto como capaz de construir conhecimento e transformar o mundo. Segundo o filósofo francês René Descartes (1596-1650), havia uma separação entre mente e corpo, de modo que o corpo desprovido de espírito seria apenas uma máquina.

Pensar o corpo como algo dividido da alma, possibilitou o estudo do corpo de um cadáver, o que era impossível no período da Idade Média, pois o corpo era entendido como a sede da alma, sagrado, e propriedade de Deus. O estudo do corpo possibilitou o avanço da fisiologia e da anatomia, colaborando também para o desenvolvimento da psicologia.

O filósofo alemão Georg W. F. Hegel (1770-1831) captou a importância da história para a compreensão do homem, Charles Darwin (1809-1882) propõe uma teoria evolucionista dos seres humanos, partindo dos animais.

A ciência passa a se desenvolver com maior intensidade, são criadas as máquinas, que mudam a forma de ver o mundo, as pessoas e o universo passam a ser pensados como uma máquina, e para decifra-las era preciso conhecer seu funcionamento e sua regularidade, por meio de suas leis.

Essa forma de pensar influenciou também a psicologia, que começa a se desenvolver neste período tendo como métodos os mesmos das ciências naturais. Para conhecer o psiquismo humano entendia-se que era preciso conhecer os mecanismos o funcionamento da máquina de pensar do homem, que era seu cérebro. A psicologia começa a trilhar os caminhos pela fisiologia, neuroanatomia e neurofisiologia.

Em 1879 foi criado o primeiro laboratório de psicologia na Alemanha, pelo médico Wilhelm Wündt (1832-1920), que passou a ser considerado como um dos fundadores da Psicologia enquanto Ciência Moderna, pois determinou seu objeto de estudo, seu método de pesquisa, seus temas e objetivos.

Neste período surgiram distintas escolas de pensamento sobre a psicologia, que caracterizam as diferentes maneiras de entender os seres humanos. Cada uma dessas escolas possuía um foco definido do que estudar e objetivos de como pretendiam realizar este estudo. Essas primeiras escolas da psicologia foram o Estruturalismo, o Funcionalismo e o Associacionismo.

O estruturalismo foi uma linha de pensamento da psicologia que estudou a consciência em seus aspectos estruturais. Estudava as estruturas dos processos da mente e o conteúdo da consciência, por meio da análise da experiência consciente em seus componentes básicos, buscando os princípios de como os elementos simples compõem uma experiência complexa.

O funcionalismo buscava compreender o que a mente faz, e como é a interação do organismo com o ambiente. Foi criada nos Estados Unidos por volta de 1880, por William James. Essa linha de pensamento psicológico possui características de uma sociedade pragmática, preocupada com sua funcionalidade prática, focada na adaptação do sujeito ao meio. Algumas das questões que buscavam responder eram: o que fazem os homens e por que fazem?

O associacionismo acreditava que a aprendizagem ocorre por um processo de associação das ideias, das mais simples às mais complexas, de modo que a aprendizagem de um conteúdo complexo, requer primeiro o aprendizado de ideias mais simples, associadas àquele conteúdo. A Lei do Efeito dizia que todo comportamento de um organismo vivo tende a se repetir se for recompensado e a cessar se for castigado.

Essas escolas iniciais influenciaram o desenvolvimento de outras linhas de estudo e prática da psicologia, o que possibilitou o desenvolvimento de diversas abordagens teóricas durante o século XX, sendo três as mais importantes até os dias de hoje, a Psicanálise, a Psicologia Comportamental e as abordagens Existenciais e Humanistas.



Referências:
BOCK, Ana M. Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, M. de Lourdes. Psicologias - uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 2002.
SCHULTZ, Duane; SCHULTZ, Sydney. História da Psicologia Moderna. São Paulo: Cultrix, 1992.
Breve história da psicologia Breve história da psicologia Reviewed by Bruno Carrasco on 06:53 Rating: 5

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