Heráclito, o filósofo do devir

Escola de Atenas [detalhe], Rafael Sanzio, 1511

Heráclito foi um filósofo do período pré-socrático, que viveu em Éfeso (atual Turquia) por volta do século VI a.C. Entendia que os seres e as coisas do mundo estão em permanente transformação, onde tudo flui, nada persiste nem permanece o mesmo.

Os filósofos do período pré-socrático são assim chamados por apresentarem um modo de filosofar anterior e distinto a Sócrates, apesar de alguns deles terem vivido no mesmo período que Sócrates. Foram os primeiros pensadores destacados do ocidente, que buscavam entender a natureza e o cosmos a partir de um princípio que fundamenta todas as coisas do mundo.

Segundo Heráclito, o princípio era o fogo, pois está sempre em movimento e transformação, assim como todas as coisas do mundo, que se constituem por contrastes e contradições: entre completo e incompleto, claridade e escuridão, afirmação e negação, ordem e desordem, etc. O resultado da relação entre os contrastes resultaria a mais bela harmonia.

"Nunca nos banhamos nos mesmos rios."
(Heráclito de Éfeso)


Não há como nos banhar nos mesmos rios, pois como a água do rio está sempre em movimento, esta é constantemente renovada, portanto nunca é a mesma. E nós também não somos os mesmos, pois estamos sempre nos transformando. Essa famosa citação destaca a impermanência e o devir enquanto característicos do ser e do mundo.

Heráclito entendia que tudo flui, nada persiste nem permanece o mesmo, por isso o ser não é mais do que o vir-a-ser, o devir. A vida é um fluxo constante, impulsionada por forças contrárias, sendo a contradição o princípio de todas as coisas, é por meio dela que o mundo se transforma. Segundo ele nada é, pois tudo está em permanente transformação.

"Nos mesmos rios entramos e não entramos, somos e não somos."
(Heráclito de Éfeso)

O ser é um constante vir-a-ser, estamos sempre nos tornando a todo momento uma versão renovada de nós mesmos. A vida acontece neste fluxo, impulsionada pelas forças contrárias. É por meio das contradições que o mundo se modifica e evolui. Tudo é um grande fluxo onde nada permanece igual, pois está sempre em contínua mutação.

A mudança que acontece em todas as coisas, e pode ser percebida na alternância entre os contrários: as coisas quentes que esfriam, e as coisas frias que esquentam; as coisas úmidas que secam, as coisas secas que umedecem, e assim por diante em todas as coisas há sempre a condição de estarem se transformando.

"A doença faz da saúde algo agradável e bom."
(Heráclito de Éfeso)

A realidade acontece na mudança, na luta entre os opostos. Se não houvesse a doença, não haveria como a saúde, sem o claro não haveria o escuro, sem a tristeza não teríamos a alegria, de modo que uma condição complementa a outra.

As contradições são complementares e necessárias. Para sentimos o frio, precisamos num momento sentir calor, para nos perceber alegres precisamos experimentar a tristeza, deste modo a experiência de saúde também surge com a experiência de sua falta.

Heráclito desenvolveu uma concepção sobre as transformações que ocorrem na realidade, apontando para uma perspectiva dialética, um movimento resultante do embate entre a "tese" e a "antítese", o ser e o não-ser, que constituem uma síntese contraditória e permanente. A dialética é um movimento onde o mundo, os seres e as coisas estão em constante transformação.

"Nada está pronto, tudo está em permanente construção, desconstrução e reconstrução."
(Heráclito de Éfeso)


Por Bruno Carrasco.

Referências:
ARANHA, Maria Lúcia; MARTINS, Maria Helena. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
COTRIM, G.; FERNANDES, M. Fundamentos da Filosofia. São Paulo: Saraiva, 2013.
MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

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