Filosofia Contemporânea


As filosofias contemporâneas correspondem a distintas produções filosóficas ocorridas desde meados do século XIX até a atualidade. Possuem características bem distintas das filosofias anteriores, questionando a validade do conhecimento, a ideia de verdade e a tradição filosófica. Além disso, apresentam novas questões sobre temas como conflitos sociais, econômicos, científicos e políticos.

A história da filosofia costuma ser dividida em períodos que correspondem a uma série de temas, questões e problemas estudados em cada época. Para suas divisões, são utilizados os termos tal como utilizamos nos períodos históricos, suas datas são aproximadas: Filosofia Antiga (séc VI a.C. à V aprox.), Filosofia Medieval (séc V à XV aprox.), Filosofia Moderna (séc XVI à XVIII aprox.) e Filosofia Contemporânea (séc. XIX à atualidade).

De um modo geral, a Filosofia Antiga  tinha por questão principal a metafísica, a Filosofia Medieval buscou conciliar a fé do cristianismo com a razão filosófica, a Filosofia Moderna se ocupou da elaboração de um método de conhecimento seguro e confiável, e a Filosofia Contemporânea  busca compreender os diferentes significados, saberes e singularidades das teorias e dos indivíduos, além de diversos outros temas.

Há uma série de transformações históricas e sociais que ocorreram do final do século XVIII aos tempos atuais, que influenciam o filosofar contemporâneo, como a Revolução Francesa (1789-1799) com ideais de liberdade, igualdade e fraternidade; a Revolução Industrial, do século XVIII em diante, onde o trabalho assalariado passa a ser feito com o uso de máquinas e a produção em série; a Independência da América, onde os países da América deixaram de ser colônias da Europa; o desenvolvimento do capitalismo com a liberdade de comércio e exploração do trabalho humano, as inovações tecnológicas, como a locomotiva elétrica, motor gasolina, avião, telefone, etc.

Todas essas mudanças interferem no modo de compreender o mundo e de se fazer filosofia. Além desses eventos, outros também foram de extrema importância, como o Romantismo, movimento cultural, artístico e filosófico do século XIX que valoriza a subjetividade e as emoções; a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, no início do século XX, que assolaram o mundo com muitas mortes e destruição; o Nazismo, o Fascismo, o Socialismo, diferentes ideologias político-econômicas e os conflitos ideológicos gerados entre as tendências ideológicas direita e esquerda; inclusive a revolução na informática, com o desenvolvimento das tecnologias de informação.

Essas novas condições geraram questionamentos sobre as buscas das filosofias modernas de alcançar verdades gerais e saberes totalizantes que explicam o ser humano e o mundo de maneira única, de valorizar e priorizar a razão em detrimento da experiência pessoal e subjetiva, e de supor um possível saber “neutro” sobre o mundo. Todas essas buscas do período moderno foram questionadas e criticadas pelas filosofias contemporâneas.

A ideia de que a razão científica fosse capaz de solucionar e resolver todos os aspectos da vida cotidiana foi colocada em questão pela filosofia. Algumas perguntas que surgem neste momento são: o que é ética e qual sua relação com a prática? Qual o significado da existência? Será que a ciência pode resolver os problemas da humanidade? As tecnologias nos trazem benefícios ou prejuízos?

De um modo geral, as filosofias contemporâneas reconhecem a impossibilidade de se alcançar valores e verdades absolutas sobre o mundo e o ser humano, compreendem que há uma pluralidade de saberes e entendimentos possíveis sobre os fenômenos, valorizando as experiências individuais e as singularidades, constatando que não há como confiar tanto na razão para resolver os problemas do ser e do mundo.

Além disso, elas também rejeitam uma concepção única de realidade, não aceitam o uso do poder por meio da ciência ou de um único saber, entendendo que coexistem diferentes interpretações sobre a realidade e os fenômenos, desconfiando da ciência como meio de resolver os problemas da humanidade, constatando que não há como confiar apenas na razão ou nas experiências.

Essas filosofias promoveram um papel muito mais investigador e questionador, constatando nossas limitações de entendimento, questionando o papel da ciência e os mecanismos de poder. As filosofias contemporâneas são marcadas por uma atitude de investigação crítica e de questionamento sobre os saberes instituídos.

"A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo"
(Maurice Merleau-Ponty)

O existencialismo é uma das primeiras vertentes de filosofia que, de certo modo, inaugura as filosofias contemporâneas, pois questiona diversas tendências da filosofia tradicional, como o essencialismo, o racionalismo, o idealismo, o evolucionismo, o positivismo e a metafísica.

Algumas correntes filosóficas deste período são o Marxismo, que promoveu uma análise socioeconômica das relações materiais de classe e da história; o Existencialismo, que busca compreender a existência humana, valorizando a liberdade e as singularidades; a Fenomenologia, que pretende analisar os fenômenos tal como eles se mostram; a Filosofia Analítica, que propõe uma análise da linguagem, do sentido das palavras e expressões; o Pragmatismo, que faz uma avaliação dos fenômenos por meio de seus aspectos utilitários; o Estruturalismo, que analisa as relações sociais por meio de estruturas relacionais; a Escola de Frankfurt, teoria crítica sobre a sociedade com influências da filosofia do Marxismo; o Desconstrucionismo, questionamento das crenças e valores do pensamento ocidental.

Alguns dos principais filósofos deste período são Arthur Schopenhauer (1788-1850), Sören Kierkegaard (1813-1855), Karl Marx (1818-1883), Friedrich Nietzsche (1844-1900), Edmund Husserl (1859-1941), Ludwig Wittgenstein (1889-1951), Martin Heidegger (1889-1976), Max Horkheimer (1895-1973), Theodor Adorno (1903-1969), Jean-Paul Sartre (1905-1980), Maurice Merleau-Ponty (1908-1961), Jean-François Lyotard (1924-1998), Michel Foucault (1926-1984), Gilles Deleuze (1925-1995), Jürgen Habermas (1929-), Jacques Derrida (1930-2004).


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
Filosofia Contemporânea Filosofia Contemporânea Reviewed by Bruno Carrasco on 01:23 Rating: 5
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