Schopenhauer e o mundo como representação


Arthur Schopenhauer (1788-1860) foi um filósofo alemão, ele costuma ser tido como pessimista, porém possui uma filosofia muito rica. Ele atribuía grande importância à experiência estética e foi responsável por incluir alguns elementos da sabedoria oriental na filosofia ocidental.

Foi um grande crítico do do racionalismo iluminista e do filósofo idealista Georg Hegel (1770-1831), especialmente sobre o seu estilo literário e o otimismo característico de sua filosofia idealista. Schopenhauer o chamava de "charlatão".

Sua filosofia tem influências de diversos saberes, apontando algumas algumas referências de Immanuel Kant (1724-1804), Thomas Hobbes (1588-1679) e Baruch Espinoza (1632-1677), porém seu estilo é bem peculiar, de modo que não fez parte de nenhum movimento ou escola específica.

Uma de suas principais obras foi o livro 'O mundo como vontade e represenação', publicado em 1818, onde comenta sobre uma vontade insaciável. uma energia pura sem direção definida, responsável por tudo o que se manifesta no mundo fenomênico.

Segundo Schopenhauer, o mundo carece de significado, não sendo bom nem ruim, porém a existência é marcada sempre pela dor e sofrimento, na maior parte do tempo. Em alguns momentos vivenciamos satisfação ou felicidade, mas isso dura apenas um pequeno instante.

Essa concepção negativa do indivíduo poderia ser superada por meio da arte e da experiência estética, em especial a música. Por meio da música, de acordo com Schopenhauer, é possível experimentar a eternidade exercendo a vontade expressada.

Para ele, nosso entendimento de mundo é limitado pelas observações que podemos fazer das coisas e pelas experiências da qual nossa vontade corresponde apenas a uma parte, nosso entendimento não possui o que não percebemos ou experimentamos.

"Todo homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo."
(Arthur Schopenhauer)

Segundo Schopenhauer, o mundo existe para cada pessoa apenas como representação, pois tudo o que percebemos corresponde a uma representação de mundo, que resulta da sensibilidade, do espaço, do tempo e do entendimento.

A ideia de um mundo "real", como uma "coisa-em-si", não pode ser captado por nosso conhecimento, pois este alcança apenas as representações, que permanecem como uma espécie de "lente" entre nós e os objetos do mundo, encobrindo sua apreensão direta.

"Todo objeto, seja qual for a sua origem, é, enquanto objeto, sempre condicionado pelo sujeito, e assim essencialmente apenas uma representação do sujeito."
(Arthur Schopenhauer)

Apesar de não podermos acessar diretamente os objetos do mundo, podemos acessar nossa subjetividade de modo direto. Assim, cada pessoa conhece o mundo como apareência e a si mesmo enquanto sujeito, e não como objeto, de modo direto, enquanto vontade. A vontade é entendida assim como a essência da subjevidade, que não pode ser objeto de conhecimento, mas que se revela ao "eu".

Suas concepções sobre os desejos e a vontade humana influenciaram alguns psicólogos, como Sigmund Freud (1856-1939), em sua teoria sobre o Id, como uma fonte de libido ou energía psíquica, e Carl Gustav Jung (1875-1961).

Este filósofo peculiar e excêntrico exerceu enorme influência em filósofos, escritores e compositores do século XIX e XX, tais como Friedrich Nietzsche (1844-1900), Hermann Hesse (1877-1962), Richard Wagner (1813-1883) e Marcel Proust (1871-1922).


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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