Filosofia Moderna


A Filosofia Moderna é entendida como toda a produção filosófica que se desenvolveu na Europa, entre o século XVI ao século XVIII. Corresponde ao período da história da humanidade que vai desde a queda de Constantinopla, em 1453, até a Revolução Francesa, em 1789.

Nesta época ocorreram mudanças importantes na sociedade europeia, como a retomada da valorização do ser humano, em oposição à valorização de Deus ou da fé; o renascimento cultural, que buscava retomar a sabedoria e a arte clássica.

A Reforma Protestante contestou a unidade da doutrina católica, possibilitando a quebra da unidade religiosa, rompendo com a noção passiva do ser humano, colocando o indivíduo em condições de pensar com mais liberdade e de se responsabilizar por seus atos de maneira mais autônoma.

O surgimento da imprensa proporcionou uma maior difusão do conhecimento, possibilitava o acesso de um número maior de leitores, favorecendo o desenvolvimento da ciência, da filosofia e das artes, alcançando cada vez mais pessoas, aumentando o nível de consciência e de liberdade de expressão.

Além disso, houve um grande desenvolvimento do comércio e o surgimento da burguesia, possibilitando novas relações econômicas e uma maior mobilidade social, as grandes navegações proporcionaram o encontro com continente americano, chamado Novo Mundo.

O questionamento sobre a fé possibilitou uma separação entre o conhecimento teológico e a filosofia, antes unidos durante a Idade Média. Isso gerou uma necessidade de um método para adquirir conhecimento de maneira segura. Essa necessidade de um método seguro estimulou o desenvolvimento de um método científico.

Com os novos métodos de investigação científica, desenvolveu-se a ciência natural, que questionava os dogmas do cristianismo. A Igreja Católica foi perdendo cada vez mais seu controle e influência sobre as pessoas e sobre o conhecimento, de um modo geral.

“A grande reviravolta na era moderna diz respeito a como a natureza passou a ser percebida. Enquanto na época medieval era considerada sagrada, na moderna passa a ser vista como objeto a ser dissecado, explicado e, quando possível e desejável, modificado com base nos interesses maiores da humanidade. Da sacralização da natureza se passa à atitude que visa a ter sobre ela controle instrumental proporcionado pelo saber com vocação praxiológica.”
(Alberto Oliva, em 'Filosofia da ciência', 2003)

Desse questionamento sobre o método, com isso surge o sujeito do conhecimento, ou seja, o entendimento que o ser humano é capaz de produzir conhecimento sobre o mundo e as coisas. Duas tendências epistemológicas se destacam na filosofia: o Racionalismo, que toma a razão como princípio e único meio de alcançar as verdades. e o Empirismo, entende que o conhecimento se origina da experiência sensorial.

Outras tendências filosóficas importantes foram o Idealismo, que prioriza o pensamento em oposição à matéria; o Iluminismo, que toma a razão como caminho para a liberdade e felicidade; o Humanismo, que valoriza do ser humano como um ser “naturalmente bom”; e o Liberalismo, que defende a liberdade individual e econômica.

As principais características das filosofias modernas são a valorização da razão e seu uso como meio de alcançar as verdades, a busca pelo controle e a previsão dos acontecimentos, a busca por valores e saberes absolutos e generalistas.

Neste período, o entendimento do ser humano, de um modo geral, obedecia a uma noção de mente e corpo como elementos separados, buscava-se explicação mecânica e matemática do universo e dos seres, por meio de um olhar objetivo, evitando e suprimindo a intuição, a sensação e a subjetividade.

Um dos filósofos mais destacados deste período é o francês René Descartes (1596-1650), representante do Racionalismo. Outro que merece destaque é o inglês John Locke (1632-1704), representante do Empirismo.

Outros importantes filósofos foram Niocolau Maquiavel (1469-1527), Francis Bacon (1561-1626), Galileu Galilei (1564-1642), Blaise Pascal (1623-1662), Baruch Espinoza (1632-1677), Isaac Newton (1643-1727), David Hume (1711-1776), Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), Immanuel Kant (1724-1804), George W. F. Hegel (1770-1831).


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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