Filosofia Mobilista

As filosofias mobilistas apresentam um entendimento sobre o ser e o mundo caracterizado pelo movimento e transformação constante, de modo que as coisas estão sempre em fluxo. Um dos principais representantes desta tendência de filosofia foi Heráclito de Éfeso (500-450 a.C.).

Para Heráclito, tudo é movimento, tudo está em fluxo, de modo que a realidade é marcada pelo conflito entre os opostos, que não a caracteriza como algo negativo, mas que garante justamente o equilíbrio por meio da equivalência entre os opostos.

Segundo ele, os opostos se complementam, dia e noite, frio e calor, vida e morte, sendo assim inseparáveis, pois há uma unidade na pluralidade. O movimento e a pluralidade são as características de nossa experiência de mundo.

O filósofo faz parte do período arcaico da filosofia, dos primeiros filósofos, que antecederam à Sócrates, e portanto são caracterizados por um pensamento assistemático, com foco na natureza e na cosmologia, elegendo um elemento como primordial, enquanto matéria prima, da qual se derivaria todas as coisas.

Heráclito valoriza assim as experiências sensíveis, tomando como elemento primordial de sua filosofia o fogo, especialmente em sua característica de chama, constantemente em movimento, enquanto uma energia que queima e se autoconsome, associando assim a dinamicidade da realidade.

"Não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio, porque o rio não é mais o mesmo."
(Heráclito de Éfeso)

Esta citação sintetiza boa parte de sua tendência mobilista, entendendo a realidade em permanente fluxo, pois as águas nos rios não são as mesmas, e nós também não somos os mesmos. Deste modo, tanto o ser quanto o mundo estão em permanente movimento e transformação.

O mobilismo é caracterizado justamente enquanto uma tendência de filosofia que reconhece o movimento e a mudança no ser e no mundo. Sendo contrário às vertentes de filosofia que defendem a imutabilidade de ser e mundo, como em Parmênides ou Platão.

"Doutrina segundo a qual a realidade está em contínua mudança. em que nada é fixo, determinado. O real é por natureza dinâmico, e sua essência é o movimento."
(Japiassu; Marcondes, em 'Dicionário Básico de Filosofia')

A filosofia mobilista, portanto, se refere à atitude filosófica daqueles que entendem que tudo muda e nada está parado, na contemporaneidade esse termo costuma ser referido como 'devir', que aparece de maneira mais intensa em autores como Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Gilles Deleuze (1925-1995).

Por Bruno Carrasco.

Referência:
JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.
MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 12 ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

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