Terapia na perspectiva existencial


A terapia existencial é uma prática que visa compreender a existência humana e as questões que envolvem o existir. Não se utiliza de um método, mas de uma atitude, atenta ao modo de existir de cada pessoa, ao invés de interpretar ou orientar. Acontece numa relação respeitosa entre o terapeuta e a pessoa atendida, visando possibilitar uma autonomia psicológica para assumir livremente sua existência.

Esta terapia se dedica a existência humana em suas características concreta, singular e em relação com o mundo, os lugares e as outras pessoas. A pessoa atendida é compreendida a partir do modo como vive e experiencia sua vida. Não se propõe eliminar sintomas ou ajustar a pessoa a um modelo de vida, mas se aproximar do modo de existir de cada um, de como lida com suas dores, inquietações, escolhas e desejos.

Assim, a terapia existencial se direciona para as experiências de uma pessoa, seu modo de ver o mundo e se perceber, suas vivências, seu histórico existencial e suas maneiras de lidar com as adversidades que lhe acontecem, de modo a conhecer a pessoa a partir da totalidade de suas vivências, considerando suas contradições, suas dúvidas e certezas, seus interesses e desinteresses, seus sofrimentos e alegrias.

Há diversos autores e teóricos que descrevem a prática desta terapia, cada um segue caminhos distintos. De um modo geral, esta prática se realiza sobre a vivência da pessoa, levando em consideração sua existência histórica, buscando a potencializar a liberdade de escolha por meio da autopercepção, possibilitando que a pessoa viva de maneira mais livre e responsável consigo mesma e com os outros.

A intenção da terapia é desenvolver a autonomia psicológica da pessoa atendida, entendendo que cada pessoa é um ser singular, livre para fazer escolhas e responsável pelas escolhas que fizer, onde não existem regras prévias que definam o que seja bom ou ruim para cada pessoa, ou como devemos agir em cada situação, portanto a pessoa tem de escolher e fazer algo da vida.

A existência acontece a partir das vivências de cada um, por isso a terapia parte das experiências subjetivas de uma pessoa, buscando compreender o modo como sente, pensa e vive, respeitando seus modos de ser e possibilitando o contato com seus sentimentos, pensamentos e valores, com intenção de ampliar a percepção sobre si e sobre as relações que estabelece.

Entende que grande parte dos sofrimentos e dificuldades surgem como resultado da pessoa não fazer escolhas autênticas e significativas em sua vida. Por isso, durante o processo terapêutico é importante que a pessoa se sinta à vontade e livre para falar sobre si mesma, suas questões e aflições, dando voz para que possa se expressar e se mostrar como efetivamente sente e pensa.

O terapeuta pretende a facilitar a compreensão da pessoa atendida sobre ela mesma, se aproximando de sua existência a partir de seus modos de ser, respeitando o tempo e o ritmo de cada um. As perguntas do terapeuta visam facilitar a expressão da pessoa sobre suas experiências. O diálogo terapêutico deve oferecer permissividade e segurança para a pessoa comentar sobre si e suas inquietações.

Enquanto a pessoa comenta sobre suas experiências, o terapeuta busca compreender o como se apresenta sem julgamentos. No momento em que a pessoa fala sobre suas experiências, ela também se escuta e se percebe melhor a si mesma. A relação terapêutica deve proporcionar confiança e segurança, respeitando as diferenças de cada pessoa atendida em seu modo de ser.

O terapeuta se utiliza da não-diretividade, de modo a não sugerir temas, conteúdos ou caminhos para o encontro terapêutico, mas possibilitar reflexões que levam a própria pessoa a encontrar suas respostas. O diálogo terapêutico possibilita que a pessoa perceba algo de si mesma enquanto fala sobre si, permitindo um novo olhar sobre si, facilitando seu processo de transformação e criação de novos sentidos para a vida.

Com a terapia, pretende-se possibilitar que a pessoa desenvolva uma maior liberdade na relação consigo mesma e com os outros, encontrando e criando outros modos de vida, mais interessantes para si, valorizando seus sentimentos e interesses. Quando a pessoa toma contato com suas experiências, pode revisar sua vida e fazer escolhas mais coerentes, indo de encontro do que deseja para si.

O terapeuta se coloca como um facilitador deste processo, não oferece respostas prontas e não apresenta uma forma correta de vida, mas estimula a reflexão sobre o modo como estamos levando a vida. A tarefa do terapeuta é possibilitar a tomada de contato da pessoa atendida com suas experiências e valores, podendo se fazer, se desfazer e se refazer durante a terapia, revisando sua própria experiência.

A terapia existencial possibilita o confronto da pessoa consigo mesma, entendendo os problemas e as dificuldades como questões existenciais e não como uma patologia. Entende que cada indivíduo é singular e livre para escolher como viver sua vida, onde não há uma receita pronta de como devemos ser.

Por isso, o intuito da terapia existencial não é evitar os conflitos, mas colaborar para que possamos lidar de maneira mais interessante sobre eles, compreendendo melhor a nós mesmos, nossas possibilidades e nosso entorno, de modo a encontrar e criar novas maneiras de lidar com nossas dificuldades e fazer algo novo e criativo de nossa existência.

O terapeuta não apresenta uma forma adequada de viver, mas entende que cada pessoa é livre para viver de sua maneira. Essa abordagem não pretende explicar as questões da vida de maneira científica, inconsciente ou espiritual, mas aprofundar a compreensão da existência singular de cada pessoa. Cada indivíduo é considerado e respeitado como sendo único e singular.
"O mais importante não é aquilo que fizeram de nós, mas o que fazemos com o que fizeram de nós."
(Jean-Paul Sartre)
 

Referências:
ANGERAMI, Valdemar. Psicoterapia Existencial. São Paulo: Pioneira. 1993.
ERTHAL, Tereza C. S. Terapia Vivencial. Petrópolis: Vozes, 1989.
RUDIO, Franz Victor. Orientação Não-Diretiva. Petrópolis: Vozes, 2003.

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