A socialização das crianças


A experiência social inicia desde o nascimento, onde a criança desenvolve uma interação com o próprio corpo, com o ambiente físico e com outros seres humanos. As disposições fisiológicas vão sendo modificadas pela experiência social. A cultura, enquanto conjunto de normas, valores, entendimentos, hábitos e disposições, interferem no organismo da criança, conduzindo seu modo de atuar.

Socialização é o processo onde o indivíduo se torna um membro da sociedade, aprende hábitos sociais e ajusta sua conduta individual de acordo com os modelos do grupo social em que está inserido. Esses padrões sociais são intensos interferem inclusive nos processos fisiológicos do organismo, como no uso do banheiro, o horário das refeições e de sono, os hábitos de como e quando se divertir, o que pode ou não ser dito, entre tantos outros.

Os padrões de comportamentos na socialização são relativos a cada grupo social. Porém, para a criança eles são percebidos como absolutos. Os cuidadores exercem uma grande influência na criança que surge no mundo sem referências de outros modelos culturais. Por serem dependentes de seus cuidadores, as crianças entendem que o mundo que eles apresentam e o modo de vida são os únicos modelos existentes.

Somente depois de muito tempo a criança percebe que existem outros modos de viver, de valorar e experienciar a vida, distinto deste modelo que aprenderam com seus pais. É neste momento que o indivído percebe que os padrões de conduta são relativos.

A socialização é um processo de configuração, onde a criança é configurada pela sociedade a aderir a seus valores e modos de vida, sua ferramenta primordial é a linguagem, que possibilita reter significados socialmente compartilhados, transmitir a outras pessoas, pensar de maneira abstrata e refletir. A criança não é uma vítima passiva da socialização. A socialização é um processo recíproco, que não afeta apenas o indivíduo que está sendo socializado, mas também os que socializam este indivíduo.

A maneira pela qual uma criança desempenhará papéis dependerá do modo em que ela vê o papel diante da visão da sociedade ou comunidade em que vive. Percebe-se que a socialização acontece numa contínua interação com outros, mas nem todos os outros com que a criança se defronta assumem a mesma importância nesse processo.

Alguns deles evidentemente ocupam uma posição de relevo, outros se situam num segundo plano, e sua função no processo de socialização poderia ser concebida como a de um “fundo musical”. Entram nesta categoria os contatos ocasionais de todos os tipos, desde o carteiro até o vizinho que só aparece de vez em quando.

Os outros significativos são as pessoas que com maior frequência fazem parte da interação com a criança, com as quais mantém relações emocionais mais intensas e cujas atitudes assumem importância crucial na situação em que se encontra. Nas fases iniciais da socialização grande parte das atitudes da criança terá sido copiada dos outros significativos.

Num sentido bastante real, eles são o mundo social da criança. Mas, à medida que prossegue a socialização, a criança começa a compreender que essas atitudes e papéis se ligam a uma realidade muito mais ampla. A criança passa a relacionar-se não apenas com os outros significativos, mas com um outro generalizado, que representa a sociedade em geral.

Por meio da relação, a criança passa a interiorizar em sua consciência o mundo social, em sua multiplicidade de significados. A consciência vai se tornando a interiorização dos comandos e proibições de ordem moral vindos do exterior. Depois que interiorizamos as regras e convenções sociais, passamos a nos orientar socialmente, de acordo com as convenções dos grupos sociais que fazemos parte.


Por Bruno Carrasco.

Referência:
Foracchi, Marialice M. Sociologia e sociedade: leituras de introdução a sociologia / Marialice Mencarini Foracchi, José de Souza Martins. – Rio de Janeiro: LTC, 2008.
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