Fanon e a psicologia da colonização


Frantz Fanon (1925-1961) foi psiquiatra e filósofo francês que se envolveu fortemente em favor da independência da Argélia, que foi colônia da França, além de se destacar em estudos e publicações sobre a descolonização e a psicopatologia da colonização.

Ele analisou as consequências do processo de colonização, tanto para o colonizador quanto para o colonizado, publicando o primeiro estudo sobre colonialismo e racismo, 'Pele negra, máscaras brancas', em 1952, tendo sido um importante intelectual para o processo de descolonização.

Apresentou as consequências psicológicas e sociais do colonialismo nas comunidades não brancas no mundo. Por conta da colonização, segundo Fanon, o negro quer ser como o branco, pois suas aspirações foram construídas por meio da cultura colonial.

Os colonos europeus viam a negritude como uma condição impura, e sua influência na colonização fez com que os próprios negros colonizados como inferiores por conta da cor de sua pele, acreditando que sempre fracassaria na vida por não ter como se assemelhar ao branco.

Por desejarem sair dessa posição de inferiorização, os povos negros colonizados desejam rejeitar a sua "negritude", pois os de cor branca, segundo os colonizadores, se consideram superiores aos negros. Portanto, ser como o branco seria uma saída da inferioridade.

Porém, a tentativa de viver tal como os brancos acaba evitando lidar com o racismo e com a desigualdade racial, além de mascarar a ideia ridícula de uma "superioridade branca", estabelecendo assim uma relação de tolerância para com essas avaliações inferiorizantes.

"Todo povo colonizado, isto é, todo povo no seio do qual nasce um complexo de inferioridade, de colocar no túmulo a originalidade cultural local – se situa frente-a-frente à linguagem da nação civilizadora, isto é, da cultura metropolitana. O colonizado se fará tanto mais evadido de sua terra quanto mais ele terá feito seus os valores culturais da metrópole. Ele será tanto mais branco quanto mais tiver rejeitado sua negrura."
(Frantz Fanon, em 'Os Condenados da Terra')

No século XIX, a África foi colonizada e dividida pelos países europeus. Na década de 1930, o movimento francês de négritude passa a reivindicar uma consciência negra unificada, rejeitando o racismo e o colonialismo, defendendo uma outra cultura negra e independente.

Para Fanon, esse entendimento sobre a negritude como apenas uma outra cultura acaba fracassando, pois não lida com os reais problemas que precisa superar, e passa a olhar para a negritude por conta dos paradigmas da cultura branca.

Segundo o filósofo, a solução seria ir além do pensamento racial, pois se permanecemos fechados em diferentes raças acabamos mantendo as condições de injustiça. A saída seria então exigir do outro um comportamento humano, independente da raça.

Fanon acompanhou seminários ministrados por Merleau-Ponty (1908-1961) e foi amigo pessoal de Jean-Paul Sartre (1905-1980), que escreveu o prefácio de seu livro 'Os condenados da Terra'. Ele foi influenciado pela filosofia existencialista e exerceu influências no pensamento de Sartre.

Se destacou nos movimentos anticolonialista e antirracista, influenciando o ativista social Steve Biko, o intelectual Edward Said, entre outros. Ainda hoje é considerado um dos principais autores nos estudos pós-coloniais e afro-americanos. Entre suas principais obras estão 'Pele negra, máscaras brancas' (1952), 'Os condenados da terra' (1961) e 'Em defesa da Revolução Africana' (1964).

"Desperto um belo dia no mundo e me atribuo um único direito: exigir do outro um comportamento humano. Um único dever: o de nunca, através de minhas opções, renegar minha liberdade."
(Frantz Fanon)

Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.
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