Educação na Idade Moderna


No século XVII o comércio se intensifica e o processo de colonização expande a América, que se torna um grande pólo extrator de riquezas. Na filosofia o racionalismo e o empirismo caracterizam a modernidade, tornando-se bases para o desenvolvimento da estrutura da educação até os dias hoje.

O mercantilismo se intensificou na Europa durante a Idade Moderna, que se caracterizou por uma forte intervenção do Estado na economia, com intuito de unificar o mercado interno, fortalecendo os Estados-nacionais.

Em reação ao demasiado controle do Estado sobre a economia, surgem ideias liberais e manifestações da população questionando o poder da realeza. John Locke (1632-1704), filósofo inglês, foi um grande expoente das ideias liberais.

Com o surgimento da burguesia, ocorre um processo de valorização da técnica. O surgimento do método científico se apresenta como uma revolução, uma nova linguagem no campo do conhecimento, onde saber é poder.

Esse momento houve uma mudança no "saber por saber" para o "saber para fazer". O planeta Terra deixa de ser o centro do sistema solar, para a teoria heliocentrica, concebendo o sol como centro do universo. Surgem tendências de laicização da intervenção da religião no Estado.


Racionalismo

Corrente filosófica que se baseia em princípios racionais, priorizando a razão como caminho para se alcançar a verdade. Acredita que tudo o que existe possui uma causa racional, mesmo que essa causa não possa ser demonstrada por meio da observação.

O racionalismo privilegia a razão como via de acesso ao conhecimento, em detrimento da experiência do mundo sensível. O racional é tido por real, deste modo busca-se propor caminhos para alcançar determinados fins. Acredita que os sentidos são falsos e o único meio para alcançar as verdades é a razão.

René Descartes (1596-1650) é um grande representante do racionalismo, que usa como recurso a dúvida metódica. Segundo ele, as ideias inatas são resultantes exclusivas da capacidade de pensar.


Empirismo

O empirismo acredita que o conhecimento se dá por meio da experiência sensorial, e que a ciência só pode ser realizada a partir dos dados da experiência. O termo "empirismo" vem do grego cuja tradução significa experiência. Deste modo, enfatiza o papel da experiência e da evidência, na formação de ideias.

Essa filosofia se desenvolve principalmente no Reino Unido, evidenciando a evidência, especialmente descoberta por meio de experiências. É parte fundamental do método científico que todas as hipóteses e teorias devam ser testadas com observações ao invés de ficarem apenas em um raciocínio a priori, intuição ou revelação.

O filósofo inglês John Locke (1632-1704) é um considerado o principal representante do Empirismo, defende o princípio de que não existem ideias inatas, pois tudo passa pelos sentidos. Para ele, o ser humano quando nasce é como uma folha em branco, que será escrita por meio de suas experiẽncias sensoriais.


Institucionalização das escolas

No século XVII, a educação se caracterizou por buscar institucionalizar a escola, elaborando normativas para questões como obrigatoriedade, programas, níveis e métodos.

Em 1619, a Alemanha regulamenta a obrigatoriedade escolar para todas as crianças de 6 a 12 anos, inclusive define a formação dos mestres, seus níveis, horas de trabalho e exames, sendo pioneira em ações em favor da educação pública.

Na França, entre 1636 e 1689, as escolas são gratuitas para crianças pobres e são criados seminários para a formação dos professores. Os maiores investimentos acontecem na região de Lyon, importante centro fabril, com intuito de capacitar uma demanda produtora.

Além das escolas, surgem também congregações. Os oratorianos ofereciam educação para crianças ricas, ensinavam francês, latim, geografia, história e estimulavam a curiosidade científica, o número de alunos por turma era pequeno e a disciplina não era tão rígida.

Os Jansenitas são influenciados por Santo Agostinho (354-430), e acreditam que o papel da educação é evitar o desenvolvimento da natureza corruptível. Vigiavam constantemente os atos dos alunos, valorizavam a racionalidade e o combate às paixões. Seus métodos são caracterizados pela memorização e erudição.

As academias surgem no século XVI, para atender aos interesses da nobreza, porém não são institucionalizadas.


Pensadores da educação Moderna

Comenius (1592-1670) foi bispo, educador, cientista e escritor. Segundo ele, o ser humano é a mais alta, mais absoluta e mais excelente das criaturas, e a educação deve desenvolver as condições para o exercício de sua plenitude humana.

Aponta três dimensões para a preparação conhecer a nós mesmos, nos governar e nos dirigir para Deus. Além disso, aborda temas inovadores para sua época, defende defende o princípio de que é possível ensinar tudo a todos, e declara ser necessário formar a junventude e abrir escolas para todos os sexos.

Para Comenius, a formação deve ser universal e as escolas podem ser reformadas. A ordem perfeita da escola deve ser buscar na natureza, propondo procedimentos específicos para ensionar as artes, as línguas, a ciência, a moral e a devoção.

Em sua obra ele busca superar a educação dual, para ricos e para pobres, comentando sobre a possibilidade da universalização da educação como bem público e inalienável.

John Locke (1632-1704), foi um filósofo inglês precursor do liberalismo, conjunto de ideias que visam assegurar a liberdade individual no campo da política, moral e religião.

Ele discorda da concepção que as ideias sejam inatas, tal como descrito por René Descartes (1596-1650). Segundo Locke, a alma é como uma tabula rasa, onde por meio da educação se desenvolvem as ideias, seja por meio dos sentidos, como também por meio da reflexão, que é resultante da percepção do que ocorre.

Apesar de suas diferenças com Descartes, ele não descarta a importância da razão, mas não entende essa como a principal fonte de conhecimento.

Na educação, ele destaca o papel do mestre, que deve possibilitar experiências significativas aos seus alunos. Propõe o estudo de história, geografia, geometria e ciências naturais, valorizando a educação física como forma de ampliação da resistência e do auto-domínio.

Para ele, a finalidade da educação deve ser a formação do caráter e o desenvolvimento físico, moral e intelectual. Ele não é a favor da universalização da educação, acredita que a educação deve ter modelos diferentes para os que governam e os que são governados.

Fénelon (1651-1715) foi teólogo, poeta e escritor francês. Ele se preocupava com a educação feminina, apesar de não romper com os padrões da época, ele vê a mulher como um acessório do mundo masculino.

Ele atribui o comportamento "fútil" das mulheres a uma educação inadequada, e para que ocorram mudanças no comportamento ele propõe a educação pelo prazer, onde prevalecia a inbstrução de gramática, poesia, história e leitura selecionada, dando grande relevância para a educação religiosa e moral para a vida doméstica.

O século XVIII foi um período de transição do período moderno para o período contemporâneo, onde acontecem eventos importantes que redefinem a organização política e social do mundo, sendo caracterizado pelo Liberalismo e pelo Iluminismo.

Immanuel Kant (1724-1804) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) são dois grandes pensadores deste período que influenciaram decisivamente o modelo de educação contemporânea.

Este período se completa o processo de retirada da influência religiosa no Estado, juntamente com a emancipação das classes sociais e dos indivíduos.


Referência:
ARANHA, Maria Lúcia. História da Educação e da Pedagogia: Geral e do Brasil. São Paulo: Moderna, 2012.
Educação na Idade Moderna Educação na Idade Moderna Reviewed by Bruno Carrasco on 14:44 Rating: 5

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.