Filosofia, espanto e dúvida

A definição etimológica de filosofia (philosophia) nos remete a ideia de "amizade pela sabedoria" (philos: amizade, sophia: sabedoria). Porém, há uma multiplicidade de definições sobre filosofia, dependendo do autor e do período histórico.

De um modo geral, a filosofia é entendida como o exercício da indagação e do questionamento, mas não se trata de um questionamento qualquer, pois ele problematiza e estabelece relações e busca entendimentos sobre o que percebemos, experimentamos e pensamos.

A filosofia é fruto de uma necessidade de se conhecer e compreender o mundo que nos cerca, em seus múltiplos aspectos. O conhecimento filosófico não é uma "dádiva", mas um saber construído historicamente pelos seres humanos.

Quando estamos diante de uma situação diferente, inesperada, temos uma atitude de admiração. Esta atitude pode ser o ponto de partida para o ato de filosofar, pois nos leva à descoberta de nossa própria ignorância e à refletir sobre o que ignoramos.

Todos estamos habituados à um padrão de beleza, mas vez ou outra nos deparamos com uma obra de arte que está fora de nossos critérios de beleza. Perante este espanto, que tem um sentido de admiração e curiosidade, iniciamos um processo de questionamento, que nos leva à ampliação de nossas perspectivas sobre arte e beleza, com isso ampliamos nossa compreensão sobre o mundo e sobre as coisas do mundo.

"Foi por conta do espanto e do assombro que os homens começaram a filosofar e, pelo mesmo motivo, filosofam até hoje."
(Aristóteles)

A dúvida é outra atitude que nos leva a filosofar. Ao indagar sobre os desdobramentos de uma determinada ação, as pessoas pensam sobre os impactos, causas e efeitos que ela possa despertar.

Na filosofia, a dúvida é mobilizadora, sendo tomada como o ponto de partida para uma reflexão profunda, buscando chegar às raízes dos problemas que pretendemos enfrentar.

Ela surge a partir do estranhamento diante da realidade. Nesse ponto a filosofia não é dogmática, pois tudo pode ser questionado, não existem valores ou verdades inquestionáveis para a filosofia, inclusive a própria filosofia.

"As perguntas em filosofia são mais essenciais que as respostas e cada resposta transforma-se numa nova pergunta."
(Karl Jaspers)

A insatisfação moral com os costumes e práticas que nos cercam também nos levam a filosofar. Quando questionamos frases do tipo “as coisas sempre foram assim, e assim sempre serão”, estamos refletindo sobre as práticas sociais, sobre os valores morais, sobre o que temos por certo ou errado.

Perguntas como: o que é justo e o que é injusto? o que é bom e o que é ruim? o que faz bem e o que faz mal? o que é belo e o que é feio? São questões que implicam em reflexões morais.

Ocorre quando nos perguntamos sobre a vida que levamos, o que acreditamos, o que valorizamos e o sentido que atribuímos à nossa existência.

"A verdadeira filosofia consiste em reaprender a ver o mundo."
(Maurice Merleau-Ponty)


Por Bruno Carrasco.

Referências bibliográficas:
ARANHA, Maria Lúcia; MARTINS, Maria Helena. Filosofando: Introdução à Filosofia. São Paulo: Moderna, 2009.
CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2000.
COTRIM, Gilberto; FERNANDES, Mirna. Fundamentos da Filosofia. São Paulo: Saraiva, 2013.
JAPIASSÚ, MARCONDES. Dicionário Básico de Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

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