Pedagogia libertária


A pedagogia libertária é uma prática feita com pessoas que desejam para si e para as outras pessoas a liberdade e o movimento, de modo contrário às tendências limitantes e pretensos ideais de verdades prontas e "absolutas".

Para isso, coloca-se aberto à dúvida, valorizando o estudo e a investigação constante, entendendo que a educação é um processo e não um fim, que as pessoas não são iguais às outras e que o mundo está em constante transformação.

Trata-se de uma pedagogia que atua em favor da humanidade, de maneira respeitosa e pacifista, que não busca evitar ou corrigir os erros, mas conviver com os erros e os acertos, reconhecendo a rebeldia própria contra a resignação que aprendemos e herdamos de séculos de imobilidade e medo, buscando estimular uma vida em constante transformação, sem o uso de autoridade ou determinações, mas reconhecendo as experiências e vivências de cada indivíduo.

Entende que cada pessoa tem o direito de ser tratada com respeito em seus modos de ser, em sua identidade, singularidade, sentimentos, desejos, acertos e erros. Toda pessoa tem o direito de se expressar e viver livremente, para que possa se desenvolver sem repressão, sem preconceitos, ampliando seus modos de entender e experimentar a vida.

O exercício da liberdade corresponde a um 'não' ante tudo o que é imposto, um não às explorações e autoridades que se autoproclamam corretas e únicas. Trata-se de um grande não à submissão às ideias e ao conformismo.

"As virtudes, disse eu, são tão prejudiciais como os vícios quando permitimos que elas reinem sobre nós impostas de fora, como uma autoridade e uma lei, em vez de produzi-las nós mesmos. Expressei sempre minha simpatia pela moral autônoma, pela moral livremente aceita e livremente realizada, e reconheci também que os fracos são precisamente aqueles incapazes de encontrar em si liberdade, essa liberdade criadora."
(Friedrich Nietzsche, em 'A Genealogia da Moral')

A liberdade na prática educativa deve unir os meios e os fins, de modo que o meio seja livre e o fim também, valorizando o respeito e a solidariedade entre as pessoas. Não se utiliza de teorias prévias para sua metodologia, pois o que se valoriza é a relação com as individualidades e os diferentes grupos que se formam a cada encontro, por meio da consideração e cooperação entre as pessoas, buscando desenvolver a capacidade crítica de cada um.

Toda prática educativa libertária fomenta o diálogo e a discussão, sempre aberta, num clima alegre e tranquilo, fazendo com que cada pessoa se sinta aceita pelo educador e pelo grupo, possibilitando assim um desejo pelo conhecimento e pelo contato com diferentes culturas.

Não se utiliza de exames de avaliação, buscando oferecer caminhos alternativos para a construção e consolidação dos conhecimentos desenvolvidos, formando sujeitos críticos, reflexivos e defensores da liberdade e da justiça. Defende-se o cooperativismo como alternativa perante a organização do trabalho e a economia imperante.

O conteúdo dos currículos é organizado pelos educadores e educandos e não pelas editoras dos livros. Inserindo valores que nos humanizam e nos estimulem uma relação respeitosa de forma horizontal, reconhecendo e valorizando as diferenças individuais e os modos de se pronunciar de cada pessoa.


Por Bruno Carrasco, psicoterapeuta existencial.


Referência:
LUENGO, Josefa M. Pedagogia Libertária: experiências hoje. São Paulo: Imaginário, 2000.
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