Terapia Nietzschiana

Terapia com base na filosofia de Nietzsche, partindo de uma autogenealogia dos afetos, caminhando para uma transmutação dos valores no sentido de uma afirmação da vida, ampliação da potência de agir e abertura para experimentação de novos modos de vida.

Propõe uma reavaliação dos afetos a partir das experiências, em favor daqueles que ampliam a potência de agir, se distanciando dos que diminuem ou despotencializam a vida. Esta avaliação só pode ser feita pela própria pessoa, pois não parte de um modelo de saúde e doença.

Esta terapia não visa evitar os sofrimentos, mas utilizar as tristezas e dores para a ampliação da experiência de saúde. Os sofrimentos são entendidos como potencializadores de saúde, que é conquistada a partir das dificuldades, e não pela evitação das tristezas.

A saúde, para Nietzsche, tem relação com a capacidade de colocar os afetos em movimento, criando novas formas de vida, superando os momentos de dificuldades e se recriando constantemente, transformando os sofrimentos em novos modos de vida, mais saudáveis para si.

"De fato, assim me aparece agora aquele longo tempo de doença: descobri a vida e a mim mesmo como que de novo, saboreei todas as boas e mesmo pequenas coisas, como outros não as teriam sabido saborear — fiz da minha vontade de saúde, de vida, a minha filosofia..."
(Nietzsche, em 'Ecce Homo')

Deste modo, não se busca uma saúde ideal nem evitar os sofrimentos, mas uma incorporação e transformação da doença para criar novos modos de ser, querer, sentir e pensar, a partir da própria experiência de sofrimento. O papel do terapeuta não é indicar um caminho, mas possibilitar a tomada de contato com os afetos de uma pessoa, para o encontro e criação de novas maneiras de lidar, buscando o aumento de sua potência de agir, a partir de sua própria avaliação.

Cada encontro possibilita uma experienciação de si, tomando contato com suas experiências e singularidades, de modo a possibilitar outros modos de ser e de se colocar. Trata-se uma possibilidade para tomar contato com suas diferenças, esquisitices, afetos e loucuras, percebendo o que para si faz bem e o que não faz.

Um diálogo aberto para se perder e se encontrar, se desconhecer e se reconhecer, para que outras formas de vida sejam possíveis, onde não há nada previamente definido. Uma disponibilidade de rever as pequenas coisas como o clima, o lugar, as atividades e as relações, a partir da própria experiência.

Esta terapia visa possibilitar a tomada de contato com sua medida e diagnosticar a si mesmo: seus sintomas e suas decadências, possibilitando a pessoa elaborar e experimentar as receitas de sua cura, se apropriando de suas singularidades e potencializando suas diferenças. Uma possibilidade de tomar contato consigo mesmo de uma maneira inventiva e criadora.

Terapeuta

Bruno Carrasco, leitor e estudioso de Nietzsche desde a juventude, graduado em psicologia, licenciado em filosofia, cursando aconselhamento filosófico. Para essa terapêutica utilizo como referência obras como Ecce Homo, A Gaia Ciência, Genealogia da Moral, Assim falou Zaratustra, Além de Bem e Mal, Aurora, além de livros e artigos que apontam para a relação de Nietzsche com a terapia.

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